INSURREIÇÃO PERNAMBUCANA

“... A resistência contra o domínio holandês, mesmo reduzido a proporções ínfimas, nunca cessou totalmente. Continuou a ser feita por elementos que, quando perseguidos, se refugiavam na Bahia, sob a proteção mal disfarçada do governo português. No entanto, essa resistência era fraca, uma vez que os grandes senhores de terras e escravos se acomodavam ao domínio holandês.

A ruptura entre os senhores de engenho e a Companhia das índias começou a ocorrer principalmente com a saída de Maurício de Nassau do governo e o inicio de uma nova política de aumento de taxas, impostos e juros, bem como de execução rigorosa das hipotecas, o que resultou na perda de inúmeras propriedades. Foi essa situação que transformou antigos colaboradores do domínio flamengo em ferrenhos opositores.

A partir de 1645 a guerra aberta foi retomada, tornando-se crescente a oposição de vários segmentos da população nordestina contra os dominantes. Antigos resistentes, como o capitão negro Henrique Dias e o índio Antônio Filipe Camarão, deixaram a Bahia, chefiando bandos armados para recomeçar a luta. Dessa vez contaram com a ajuda de grandes senhores, alguns dos quais, como João Fernandes Vieira, assumiram o comando da rebelião que se alastrava. O historiador Evaldo Cabral de MeIlo afirma que principalmente nessa fase Portugal, um reino empobrecido e fraco, que temia o poderio holandês na Europa, praticamente não ajudou a insurreição pernambucana. A quase totalidade dos gastos com a guerra contra o domínio holandês foi financiada com recursos da população local.

A insurreição foi obtendo importantes vitórias, passando da guerra de guerrilhas a batalhas em campo aberto. Uma primeira grande derrota foi sofrida pelos holandeses na batalha do Monte das Tabocas, em agosto de 1645. Seguiram-se novas derrotas nas duas batalhas de Guararapes, nos anos de 1648 — 1649, a partir do que os holandeses ficaram isolados em determinados pontos do território. Também em 1648, forças partidas de Pernambuco retomaram a São Paulo de Luanda, centro fornecedor de escravos de Angola.

Diante dessas vitórias, Portugal, que havia se libertado da Espanha em 1640, começou a participar da guerra lentamente e de forma não declarada, ao mesmo tempo que iniciava uma política de aproximação com a Inglaterra, país rival dos holandeses em termos de comércio e navegação.

A partir de 1650 alguns acontecimentos favoreceram as armas do Brasil e de Portugal. O governo inglês, liderado por Oliver Cromwell, promulgou os Atos de Navegação, leis que prejudicavam o comércio e o tráfico marítimo dos holandeses. Da concorrência, Inglaterra e Holanda passaram à Guerra de Navegação (1652 — 1654), na qual os flamengos foram vencidos. O momento favoreceu ainda mais as forças pernambucanas, restando aos holandeses a rendição, assinada no Tratado de Campina da Taborda, em 26 de janeiro de 1654. “

Por: Sônia Medeiros
Professora de História

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